Artigos de: Emanuel Fernandes

Se meu mundo cair

Há coisas que só experimentando pra saber. Por exemplo, cálculo renal. Tive um só e fiquei satisfeito. Inesquecível! Canal de dente: um espetáculo!
Síndrome do pânico, nem se diga. Tive uma, imaginem! Íamos para Maceió, o avião havia decolado de São Paulo e faria um pouso em Campinas. Só 15 minutos. Mas?
Eu comecei a suar frio. Um medo, um terror, um pânico. Fui apertando a mão de Sônia até a aliança marcar os dedos. Eu só pensava em pular fora assim que aterrissasse. Curiosamente, como já puderam observar, eu não contava com a possibilidade do avião cair. De jeito nenhum! O pensamento obsessivo era de que eu iria apear em Campinas, jamais que o avião pudesse cair.
E não caiu. Assim que aterrissou, e parou no canto da pista, eu olhei pela janelinha, vi os outros aviões “estacionados” à beira da guia, olhei de volta pra dentro e pensei: Ah! É só um avião! Exatamente isso e nada mais. Era só um avião! O inferno em que afundei, na eternidade de 15 minutos, veio não sei de onde e foi não sei pra onde. Passou!
Mas, então, medo de quê?
A tentativa da psicanálise é o de dizer o não-dito, aquilo que não há como dizer porque não cabe em palavras. Mas mesmo assim precisa ser dito nem que seja para poder existir. Há áreas do saber onde não se sabe tudo de forma exata. Tirante as matemáticas, o restante é incerto como a vida. Foi a psicanálise que nos ensinou que todo ato falho é um discurso bem-sucedido. Assim sendo, por que deixaria de ser um discurso bem-sucedido o terror de síndrome do pânico?
Na síndrome do pânico, pior que o medo de morrer é o sentimento de estar prestes a enlouquecer, a empanicar. O termo pânico vem do grego, panikón, e pode ser traduzido livremente como “jeito de Pã”, o fauno da mitologia que barbarizava por onde passeava: deixava as pessoas caotizadas, catatônicas, esvaziadas de si mesmas.
A natureza tem horror ao vazio. Quando a gente não tem resposta, inventa uma. Há quem prenda o pássaro na gaiola para estudar a dinâmica do voo. Mas o pânico resiste a respostas, simplesmente, por se recusar a fazer perguntas. Claro que cada ciência vai puxar o cobertor por cima do próprio frio. Respostas aparecerão. Preferíveis são aquelas ancoradas no porto seguro da História. Os condicionantes históricos, muito mais que os determinantes biológicos ou psíquicos, dão o tom e a cor daquilo que vivemos.
Na História da sociedade ocidental, uma das coisas que mais chamam a atenção, no momento, é a crescente preocupação com a aparência física. Muitos se tornaram desesperadamente ansiosos por mínimos defeitos corporais, reais ou imaginários: o excesso de peso, o tamanho do busto, a perda de cabelo. Por aí vai. Em épocas anteriores, isso mal seria notado, menos ainda estaria entre os temas que provocasse ansiedade aguda. Mas hoje, vivemos a ditadura da forma. O conteúdo esvaziou. Sobrou a forma: do corpo, da casa, do carro…
O que o pânico tem a ver com isso?
Tem que, quando a sociedade contemporânea reduz as causas das ansiedades reais, como pragas, epidemias, guerras, escassez de alimentos, simultaneamente, há uma tendência a agravar as causas particulares de ansiedade. (Ninguém, por exemplo, fica doente em hora de jogo da Copa do Mundo. Os Prontos-Socorros ficam vazios!) Sem falar, claro, em todas as outras mazelas que assolam as sociedades modernas industrializadas: segurança de trabalho, saúde, padrões de consumo, performance sexual, nível sociocultural ou posição social, tudo o que tem sido os motores econômicos do estilo de vida das sociedades capitalistas, criando novos desejos em consumidores sempre insatisfeitos. Afinal, o IPhone 5 já caducou!
Os fatos só acontecem depois de serem inventados. Cada um cria o seu. Mão de afogado é cheia de mato. Na hora do perigo, a gente se agarra no que tiver perto. Na medida do possível, aumente o conhecimento. Quando ele aumenta, o medo diminui. Essa é a melhor opção em época de crise. Meu mundo pode se afogar, eu não. Se meu mundo cair, eu que aprenda a levitar.

Renato Lôbo
É psicanalista em São José
renato.lobo@ovale.com.br

Um governo sem roteiro

Quo Vadis? O que nos divide está ficando claro. O que nos une está ficando nebuloso. O Brasil perdeu o roteiro!
Este me parece ser o diagnóstico da nossa atual situação. A economia em recessão com o consequente aumento do desemprego, o profundo descrédito com a política e um agudo sentimento de falta de rumo. Passados 30 anos da nossa redemocratização e 27 aos da nova Constituição, há um claro sinal de esgotamento político.
Embora haja uma crescente descrença com a política nos principais países do mundo, o mesmo fenômeno que ocorre no Brasil parece ser um pouco mais sério.
Neste domingo estaremos vivenciando a quarta ida de brasileiros às ruas.
Na economia tivemos um breve crescimento entre 2004 e 2010 e o governo do PT acreditou (e difundiu essa crença) que era devido às “suas políticas econômicas” ao invés de outras causas que pouco dependiam do governo. Entre os fatores alheios ao governo e, portanto, sem relação direta com o partido que está no poder está a entrada da China na OMC (Organização Mundial do Comércio) e o brutal aumento dos preços das commodities.
O Brasil exportava para a China em torno de US$ 2 bilhões em 2002. Esse número saltou para US$ 43 bilhões (2% do PIB) em 2013.
Também podemos citar a forte diminuição da taxa de nascimento e o fim das grandes migrações como fatores alheios ao governo central.
É importante ficarmos atentos que, se o preço das commodities voltarem aos níveis pré 2002 (como quase sempre estiveram ao longo do século 20), o Brasil terá problemas muito maiores que os atuais.
Mas o pior problema do Brasil não é político ou econômico. O pior problema do Brasil é a falta de roteiro. Falta-nos alguém com credibilidade para apontar o fio da meada do roteiro; conduzir, sob o ponto de vista do Estado, a elaboração desse roteiro; e presidir as instituições para que o País não fique sem roteiro. Falta-nos, como já disse, um Chefe de Estado.
As soluções de “roteiro” até agora elencadas têm sido uma caricatura do que sempre propõem as elites: provisórias em vez de definitivas, acessórias ao invés de focar o principal e de forma ao invés de atingir o conteúdo.
Elas vão desde: “Que crise? Não existe crise! Isso é democrático”, passando por pedidos de impeachment, assun-ção do vice-presidente, assunção da oposição, Constituinte limitada (pós-julho/13), arremedo de reforma eleitoral, etc.
Precisamos de um roteiro e não de improvisações. Qualquer improvisação durará muito pouco tempo.
Qualquer que seja o roteiro deverá ser feito segundo o que o filósofo político John Rawls propôs como o princípio do “véu da ignorância”.
Segundo Rawls, ao se estabelecer uma regra, você não pode saber se ela te ajuda ou prejudica. Ou seja, você pode estar ora de um lado, ora de outro lado.
Qualquer reforma política-eleitoral deverá ser feita do ponto de vista do eleitor e não do eleito.
Para assegurar isso é necessário fazer uma transição para que a população eleja um Chefe de Estado.
Em 1984, fomos às ruas pedindo Diretas-Já para eleger o presidente do Brasil e conseguimos isso um pouco mais tarde.
De lá para cá há um claro esgotamento do presidente eleito ter também ao mesmo tempo o papel de Chefe de Estado. Temos tido presidente de governos e o Chefe de Estado sumiu porque ele é visto como pessoa não neutra.
É hora de elegermos o Chefe de Estado que seja respeitado por todos os que tenham poderes (democráticos) para debelar o desgaste destes para com o povo brasileiro.
Se tivéssemos um Chefe de Estado, as manifestações de julho de 2013 já teriam sido atendidas.
Quo Vadis? Para Onde Vais? Diante da atual situação essa é a pergunta que teima em calar fundo na alma de cada brasileiro. E a resposta me parece quase óbvia.
É necessário eleger um Chefe de Estado.

Uma árvore chamada adolescência

É difícil entender o adolescente. Mais difícil é atender. Às vezes, a família insiste. Por que, é claro, é sempre a família que insiste. Eles mesmos nunca nem querem nem precisam! O problema é que a família pode, quando muito, querer para eles, nunca, por eles. Já não são mais crianças. Certo! Mas ainda não são adultos. Pois é! Já começaram a querer o que querem. Ok! Mas ainda não sabem direito o que querer. Né!

 

A primeira pergunta é sempre o que se passa na família quando um filho vira adolescente?

 

Então… Família!

 

Família é um organismo vivo. Com brigas, discussões, vulcões, tsunamis, desbarrancamentos, alegrias, festas, contentamentos, mortes, nascimentos…Tudo isso e muito mais à mostra da vitalidade desse organismo, em suas nuances e mudanças, nas interpretações que são feitas para que tudo aconteça e nas leituras que são corrigidas depois que tudo acontece. Sem mencionar as dificuldades de mudar, a partir do momento em que os acontecimentos desabam, ou a facilidade com que se muda ou a mudança em si mesma. Família é que nem passarinho: troca de pena. Só que passarinho quando troca de pena, fica mudo, não canta. Família nem sempre!

 

Nesse canteiro familiar de emoções, brotam e crescem plantas novas, seres que mais tarde constituirão outras famílias. Nascem, crescem, adoecem, adolescem. As mudanças externas aparecem logo: o desengonço total de pernas e braços, as espinhas, ah, as espinhas. O que quase ninguém nota são as mudanças internas. Em cada adolescente caminha uma multidão, que provoca tumultos, como toda multidão, pelo simples fato de caminhar.

 

Há horas em que o pobre sujeito adolescente se sente perdido e atormentado por vozes que comentam e criticam, induzem, só para depois punir. E ele não sabe como conter os moradores do seu condomínio interior.

 

Ficaria mais fácil, se ele, adolescente, soubesse que ninguém nasce no dia que nasceu.

 

A gente nasceu muito antes de nascer. Nasceu no dia em que nossos pais se conheceram, no dia em que começaram a planejar que a gente viria, no sonho que tiveram a nosso respeito, no dia em que resolveram pintar o quarto sem saber direito a cor, no dia em que comunicaram para os mais próximos que estavam planejando uma certa vinda para uma incerta data, no dia em que já sabiam que a nossa história mudaria completamente a deles. A história de qualquer um nasceu muito antes dele ter nascido. A gente só levou 40 semanas para chegar. Mas quando chegou, boa parte nossa já estava aqui, esperando por nós. Nossa história havia chegado antes.

 

Quando o adolescente se dá conta de que ele não apenas faz parte dessa história, mas ele é essa história, algo lhe salta por dentro. Aquele ser desconhecido que havia virado criança tornou-se obsoleto. Não serve mais. O novo ser desconhecido que agora salta cada vez que o espelho lhe passa em frente também se tornará obsoleto. Terá de se tornar. É sempre triste quando se torna. Mas é ainda mais triste quando não se torna. Sempre haverá um longo percurso: 3, 6, 9, 12, 15 anos. Ou mais! Parece que hoje a adolescência se espicha sem fim.

 

Nessa longa jornada, cheia de temores e tremores, descobertas e frustrações, amizades que vem e vão, perigos por todo lado, os candidatos a se tornarem gente mostrarão armas e estratégias que desenvolveram durante os primeiros longos 12 anos de vida, quando o mundo inteiro tinha as cores de um quarto de criança. Mas terão de mudá-las. Como se a mesma planta fosse replantada inúmeras vezes, para não morrer.

 

Adolescência é planta, já quase árvore.

 

Gosto de pensar que somente o que a gente planta nos dará sombra nos dias seguintes. Gosto também de pensar que a terra é boa. E que com cuidado e tempo e paciência e esperança e bondade e uma sadia loucura de sempre querer o bem, o arbusto adolescente se tornará árvore frondosa. E que se não houver frutos, valeu a beleza das flores. Se não houver flores, valeu a sombra das folhas. Se não houver folhas, valeu a intenção da semente.

Renato Lôbo
É psicanalista em São José dos Campos
renato.lobo@ovale.com.br

Nuvens cinzentas na política

Política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou”. Esta frase atribuída ao ex-governador mineiro Magalhães Pinto não somente é verdadeira e corresponde aos fatos observados como também nos fornece um interessante ponto de interrogação: Por quê? Já se vivenciou e se ajustou tanto a política, já se estudou tanto a política através da sociologia, da ciência política e da história, então por que ela parece ser imponderável e imprevisível?
Essa questão sempre foi interessante para mim. Vivendo entre dois mundos, o da reflexão (por dever profissional) e o da ação (como prefeito, secretário, parlamentar), sempre procurei encontrar a racionalidade das coisas para agir de modo mais seguro.
Sempre que eu posso, eu leio sobre política, sociologia, história, filosofia, economia, etc, para balizar as minhas reflexões e orientar politicamente as ações.
Em quase toda literatura a que tive acesso há tentativas de mostrar que há “padrões” no movimento das nuvens políticas: desde as que tratam da trajetória inexorável da história, passando pelo positivismo até as análises estatísticas das pesquisas qualitativas e quantitativas do marketing político.
Porém, quando se acredita que se descobriu um “padrão”, aparece uma nova formação diferente de nuvens da política e essa descoberta cai por terra.
E aqui cabe uma outra pergunta. Não deveria ser diferente já que a menor unidade (digamos, o “átomo”) da política é o homem, esse ser que se quer racional e, portanto, previsível? A somatória das ações de seres racionais não deveria ser também racional e previsível?
Sei que as interpretações sobre “átomos”, racionalizações e somatórias são muito discutíveis e dariam uma infinidade de teses e teorias além das que já deram.
Porém, eu gostaria aqui de colocar a minha colher nessa cumbuca, sacando um aforismo de Nietzsche, do livro “Além do bem e do mal”: “A vontade de superar um afeto não é, em última análise, senão a vontade de um outro ou de vários afetos”.
Com base nessa afirmação de Nietzsche pode-se inferir que cada unidade (cada pessoa) tem um comportamento à medida em que os afetos vão sendo superados.
É como se a identidade dessa unidade mudasse com o tempo à medida em que os afetos vão superando uns aos outros.
Assim, se o comportamento sociológico já é complexo, dada a infinidade de interações entre as vontades dos atores e dos grupos de atores numa determinada sociedade, imagine-o com o aumento da complexidade advindo com essas vontades variando no tempo.
Desse modo, não somente os interesses gerais, mas também a composição dos grupos de interesse, varia com o tempo. Essas variações dependem dos ajustes de afetos ao longo do tempo.
Algumas vezes, dadas as circunstâncias históricas, alguns afetos entram em ressonância (vão se reforçando e se ampliando) e determinam rumos novos na política e na história.
Outras vezes, líderes com aguçado senso de análise constroem discursos que emulam afetos prontos a emergir que provocam ressonância num número grande de pessoas e, consequentemente, constroem novos rumos.
Em ambos os casos há essa ressonância. Como ela aparece ainda não é muito claro no primeiro caso. No segundo, é aquela história da “pessoa certa no lugar certo”…
Vou exemplificar com o que acompanhei ao longo de minha trajetória pública.
Em todas as pesquisas que tive acesso nesse período havia uma pergunta que mostrava os indícios de humor da população: “Em sua opinião você é a favor da continuidade ou da mudança?”
Note que não se trata da continuidade ou mudança do governante, mas sim de um estado de humor.
Ao longo desse tempo havia certa (pequena) preferência pela continuidade, a qual ia lentamente diminuindo.
Mas, nos anos recentes, o humor mudou de vez e o sentimento de continuidade despencou. Ou seja, alguns afetos ligados à mudança estão cada vez mais presentes.
E as nuvens estão bastante cinzentas.

Formação escolar e política

O curso CASD é um cursinho preparatório para vestibulares destinado a alunos oriundos de família com baixa renda per capita. Seus professores e diretores são alunos do ITA que numa memorável ação social propiciam aos seus alunos uma oportunidade de entrar nas grandes escolas públicas do país. Ele foi refundado em 1997/98 por alunos do ITA que me procuraram, quando era prefeito, solicitando ajuda.
A prefeitura ajudou e, de lá para cá, muitos jovens talentosos e esforçados realizaram seus sonhos de entrar em boas escolas.
É, com certeza, um dos melhores projetos sociais do Brasil. Ajudei a refundar o CASD baseado em minha experiência com o antigo CASD-Vestibulares da década de 1970, que ficava na Rua Rubião Júnior. Ali estudei e depois fui professor de álgebra e diretor.
Embora cobrasse mensalidades, seu custo era baixo e havia muitas bolsas de estudo, pois os professores (alunos do ITA) davam aula gratuitamente, como forma de ação social. O então prefeito Joaquim Bevilacqua ajudava a manter o cursinho numa época de crise quando eu era diretor.
Ele garantiu uma receita mensal suficiente para pagar aluguel do imóvel comprando bolsas de estudo para alunos carentes e funcionários da prefeitura.
Um tempo depois o CASD fechou devido à competição dos grandes cursinhos que se instalaram na cidade. Durante sua existência, o antigo curso CASD possibilitou que muitos alunos, eu entre eles, passassem nos principais vestibulares do país.
Ele era um grande instrumento de avanço social e o seu corpo dirigente e docente tinha uma visão concreta disso. Éramos um núcleo que queria ajudar a melhorar o Brasil, não só propiciando ensino de qualidade, mas também despertando o espírito crítico à época reprimido pelo regime militar. Esse núcleo era politizado e alguns dos então alunos acabaram exercendo posições de liderança ao longo da vida profissional.
Vou citar alguns com quem convivi quando fui aluno e depois professor do antigo curso do CASD Vestibulares.
O José Cechin que ocupou importantes cargos no governo federal e foi ministro da Previdência.
O Carlos Américo Pacheco que foi reitor do ITA e até recentemente exerceu o cargo de secretário-executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovação.
O Dario Rais Lopes que foi secretário dos Transportes de São Paulo e hoje está no Ministério das Cidades.
O Carlos Henrique de Brito Cruz que foi reitor da Unicamp e presidente da FAPESP.
O Gilberto Câmara que foi diretor do INPE e eu, que acabei sendo prefeito de São José dos Campos e secretário de Estado da Habitação e de Planejamento em São Paulo.
Acredito que o CASD-Vestibulares, além do Centro Acadêmico (também chamado CASD) foram uma grande escola para o despertar do espírito publico desse núcleo.
Obviamente, vivíamos um outro tempo quando se formou esse núcleo político em torno do CASD e das próprias atividades do ITA.
Tínhamos um adversário claro, o regime militar, e o engajamento político podia ser considerado natural para enfrentar aquela situação de exceção às liberdades democráticas e de opressão a todos que se opunham à ditadura.
Hoje, apesar de vivermos em uma democracia, a política e seu exercício se tornaram sinônimos de coisa ruim, sempre mal vista pela sociedade.
As pessoas, e principalmente os jovens, estão muito desiludidos com a situação atual e acabam se afastando da política. Isso deve a vários fatores, como os casos de corrupção, o desgaste dos partidos políticos, entre outros problemas.
O desafio agora, portanto, é tentar superar esse desencantamento.
Acredito que o atual CASD possa continuar a propiciar oportunidade a alunos carentes, como vem fazendo com excelência em todos esses anos.
Mas também torço para que a instituição consiga retomar e promover a formação de núcleos politizados que ajudem a melhorar o país.
O Brasil agradece!

Carta aos cidadãos do Vale

Quando fui acusado de desvio em processo de tíquetes, experimentei dois sentimentos inéditos. O primeiro, um sentimento de injustiça. Afinal, não havia desviado um mísero lápis da coisa pública. Muito mais do que isso, eu não havia permitido que ninguém fizesse isso. Eu era diligente e obsessivo com possibilidades de desvio. Eu odiava (e odeio) corruptos. Muitos dos problemas que ainda enfrento se devem a essa minha obsessão em evitar que haja corrupção.
Um sentimento de profunda injustiça da vida se instalou em mim. Olhei para os lados e não vi nada. Pensei comigo: “É uma pena as pessoas não poderem acessar minha consciência”! Olhei para trás e nada importava sobre o que eu tinha sido ou era: eu não tinha sido ninguém. Olhei para frente e não havia frente: tal como um buraco-negro, meu olhar sempre se voltava para dentro de mim. Olhei para baixo e não havia chão. Olhei para cima e não havia céu. Pensei: “Deus, não estás vendo?” O sentimento de injustiça não tem cara, não tem ódio, não é ativo, não é reativo. O sentimento de injustiça era uma coisa que nunca havia experimentado. Ele é o nada e eu o experimentei.
O segundo sentimento experimentado foi o de sentir-vergonha-de-uma-coisa-que-eu-não-fiz ou sentir-culpa-de-uma-coisa-que-eu-não-fiz. Pensava nas pessoas que haviam acreditado em mim e nas frases que elas poderiam estar ouvindo de outros. (“Não te falei que é tudo a mesma coisa?” “Tudo farinha do mesmo saco!” “Eu não acredito em ninguém”. “Ele também é safado”.) Pensava nos eleitores que poderiam se sentir traídos. Nos apoiadores que haviam se esforçado muito e ajudado a me eleger e poderiam sentir uma ponta de vergonha. Pensava nas pessoas que haviam ajudado financeiramente sem esperar por nada em troca. (“Será que esse cara me enganou”?)
Eu sentia vergonha de coisa que não havia feito. Evitei sair de casa, trocar olhares com outras pessoas. O sentimento de culpa de coisa que você não fez é muito forte quando se leva em conta que a culpa é verossímil. A culpa é reforçada pelo sentimento de arrependimento de exercer atividade na qual é verossímil que haja desvios. Sei que muita gente ficou machucada com tudo isso, mas faço aqui um desagravo a elas: – Sua confiança nunca foi quebrada, nem de fato, nem de direito. De fato, porque sou honesto. De direito porque a pedido do próprio órgão acusador (o Ministério Público Federal) fui absolvido, segundo decisão da Justiça. Quanto a mim, procuro conforto no fato de ter experimentado dois doloridos e inéditos sentimentos.
O texto acima foi divulgado nas redes sociais como forma de desabafo próprio e de desagravo para pessoas que confiaram em mim. Porém, cabe debater o porquê disso ter acontecido. Afinal, minha conduta pública comprova que não deveria acontecer. Durante minha trajetória política, sempre procurei atuar de forma clara, transparente e de acordo com a ética que todos pregam publicamente. Nunca paguei cabo eleitoral, minhas campanhas sempre foram com militantes e simpatizantes, a começar por mim nas esquinas para dar exemplo. Desde que me tornei político, nunca assinei uma rifa, doei algo a alguém, paguei alguma conta, paguei uma cerveja ou refrigerante, etc, com finalidade de angariar simpatia de eleitor ou munícipe. Nunca “fiz favor” com recursos da Prefeitura ou do Estado. Nunca fiz comícios ou showmícios. Nunca pintei muros, ocupei outdoors, etc.
Os votos que obtive foram dados pelo convencimento. Isso torna custo das campanhas muito mais baratos. Por isso minhas campanhas sempre foram simples e baratas e não tive que pedir (ou permitir que pedissem) recursos para minhas campanhas a quem poderia me constranger na prefeitura: empresas de ônibus, fornecedores de tíquetes, de merenda, empreiteiras, etc. A todos os que eram solicitados a ajudar, a ordem era: se doar, não será ajudado e se não doar, não será prejudicado. Ou seja, cidadania na hora de campanha para ter cidadania na hora de governar. O problema é que isso não é observado na prática política por boa parte dos agentes públicos e o que deveria ser regra vira exceção, criando-se um sentimento de que todos são iguais.

Brasil precisa de uma liderança

O Brasil encontra-se em sua reta final da transição rural-urbano. Boa parte dos países do mundo, sobretudo os mais desenvolvidos, já fizeram essa transição.
Essa é uma transição difícil porque, além de custosa economicamente, ela muda a estrutura da sociedade (em termos de infraestrutura para viver e produzir, de economia e de relações sociais). Mas o fato é que, segundo o Censo 2010, tínhamos já 84,4% das pessoas vivendo nas cidades: estamos mal urbanizados, mas já somos um país urbano.
Do ponto de vista da infraestrutura dos sistemas urbanos, já temos 97,4% dos domicílios com coleta regular de lixo; 99,1% com energia elétrica; 75,3% com ligação às redes de esgoto ou fossas sépticas; temos um déficit habitacional de aproximadamente 10% do total de habitações existentes.
Este último dado é da Fundação João Pinheiro; os outros, do Censo 2010. Já caminhamos bastante na urbanização do Brasil e, acredito, nos próximos 20 anos esses sistemas básicos estarão universalizados. Mas, o que vem por aí? Quais os aspectos positivos e negativos que nós teremos pela frente?
Vamos começar pelos aspectos positivos:
1- Ativos importantes foram construídos nas últimas décadas: infraestrutura agrícola com alta produtividade, que cresceu 3,7 vezes entre 1975 e 2010 segundo a CEPAL; um grande e relativamente moderno setor industrial e de serviços; recursos humanos para os setores mais estruturados da economia (técnicos, cientistas, gestores).
2- A demografia nos favorece: nossa taxa de dependência vive seu melhor momento histórico pois temos o menor número de dependentes (crianças e idosos) em relação à população ativa.
3- Nossa taxa de escolaridade aumenta continuadamente.
4- Terminaram as grandes migrações.
5- Quanto mais tempo vivemos nas cidades (isto é, quanto mais tempo nos distanciamos do período de mudança), mais isso ajuda a construir nossa identidade urbana (aumentando o grau de pertencimento das pessoas ao seu habitat e diminuindo desinteligências).
6- Há muita gente que ainda irá se urbanizar no mundo (sobretudo na China e na Índia), o que favorece nossa indústria da agricultura e mineral.
Mas também temos pontos negativos a serem enfrentados, que destaco:
1 – A perda da vantagem competitiva na indústria devido ao aumento de nosso custo de fatores (mão de obra, imóvel, energia, burocracia, meio ambiente). Para exemplificar isso, vejamos nossa relação com a China: 40 anos atrás éramos um país industrial e a China um país fechado e rural. Hoje, segundo o Ministério das Relações Exteriores, nossas exportações para a China são 84,4% de produtos básicos e nossas importações são 97,9% de produtos manufaturados.
2- Nossa economia é muito fechada para o mundo. o que nos dificulta entrar no “ganha-ganha” da globalização.
3- Temos baixa capacidade de poupança e nossa produtividade é baixa.
4- Ainda temos grandes bolsões urbanos à margem (da identidade geral e da lei) que podem se sedimentar desse modo e existir por um período muito longo.
5- Temos ainda que vencer o populismo e a demagogia que ainda persistem na política e em certos setores de formação da opinião pública. Ambos causam histerese em nosso caminho de desenvolvimento.
6- Não teremos mais as duas grandes fontes de energia econômica que utilizamos para crescer até aqui: os imigrantes e os migrantes.
Gostaria de salientar esses dois últimos aspectos negativos. Para amenizar esse problema, é necessária Política. Não política do dia a dia, a do embate “eles são responsáveis pelo nosso insucesso” versus “nós somos o caminho do sucesso”. É necessária liderança lúcida e desafiadora para despertar e aglutinar energias adormecidas. Essa energia é a vontade de se apropriar de futuro bem melhor para nós e nossos filhos. Não essa circularidade onde prevalecem relações ganha-perde, perde-ganha, perde-perde e muito pouco ganha-ganha. É preciso despertar emoções e confianças adormecidas. É preciso liderança.

O desenvolvimento chinês

Após 18 anos e meio de atividades políticas, estou voltando para o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), em São José.
Rever os colegas e amigos do trabalho é sempre prazeroso. Ver o amadurecimento e a evolução dos projetos que aqui deixei também me traz muita satisfação. Na maioria dos projeto, trabalhei indiretamente como Coordenador de Planejamento do Instituto e como assessor do então diretor do Inpe. Em outros projetos, trabalhei diretamente como engenheiro: são os casos da Missão Espacial Completa Brasileira –MECB- e do Programa CBERS (sigla em inglês para Satélite China-Brasil de Recursos Terrestre).
Volto no momento em que foi lançado o CBERS-4, que opera com sucesso e que tem vários equipamentos importantes feitos pela indústria nacional. Percebo um grande avanço que fizemos na construção, operação e utilização de satélites. No projeto CBERS, trabalhei em seu nascimento. Fui um dos coordenadores da primeira equipe técnica que foi a Pequim (atualmente, Beijing) para especificá-lo e estabelecer seus planos de desenvolvimento e operação.
Éramos 16 pessoas que ficaram dois meses realizando essas tarefas. Era um desafio enorme, pois o programa tinha importante função diplomática: o maior projeto com altíssimo conteúdo tecnológico entre dois países em desenvolvimento. Lembro-me das dificuldades iniciais impostas pela aproximação de dois países com culturas muito distintas.
A primeira barreira era, obviamente, a língua. A segunda, os diferentes modos de pensar ocidental e oriental. A terceira, as diferentes tecnologias espaciais (no nosso caso, derivada da tecnologia ocidental, sobretudo dos Estados Unidos e no caso dos chineses, derivada da tecnologia soviética).
A última barreira referia-se ao modo de gerenciar – -estrutura de comando e decisão.
Do lado pessoal, lembro-me do jeito simples (e desconfiado) dos chineses, seus gostos pelas quermesses, do pouco recurso financeiro que tinham para viver e se divertir.
Tudo isso me fazia sentir como se estivesse entre a gente simples da pequena cidade em que cresci.
Conheci os principais pontos turísticos de Beijing e região, inclusive a Grande Muralha da China e a Praça da Paz Celestial, onde seis meses depois houve aquela forte repressão de 1989. Nunca mais voltei à China, pois me engajei no planejamento do Inpe, mas sempre acompanhei com interesse o seu desenvolvimento.
Colegas me relatam que, ao invés do “enxame” de bicicletas que ocupavam mais da metade das vias, hoje Beijing ostenta uma enorme frota de carros. O Telex que usávamos como meio de comunicação com o Brasil foi substituído pelos modernos meios de comunicação atuais. Metrôs, trens de alta velocidade, industrialização e urbanização aceleradas são a constante na China, devido a um crescimento médio anual de impressionantes 10% ao ano nos últimos 25 anos.
Esse avanço importante da China se deve a alguns fatores. O primeiro é a alta taxa de poupança e investimento. Como exemplo, em 2013 a taxa de investimento da China foi de 48% do PIB –a do Brasil, de 18%. Outro fator é a busca da produtividade através da educação, ciência e tecnologia.
Um terceiro fator refere-se ao orgulho nacional e o espírito empreendedor em fazer da China (de novo) uma grande nação. Está nessa cultura milenar sentimento de que a China foi e voltará a ser líder do mundo. Afinal, até o início do século 16 a China era muito mais desenvolvida econômica e tecnologicamente que o ocidente.
Um erro do então imperador fez a China perder a oportunidade das grandes navegações, e consequente desenvolvimento econômico, e ficar para trás das nações ocidentais que começaram a se desenvolver. Temendo que a navegação por grandes barcos poderia trazer para a China os valores de culturas que eles consideravam inferiores, o imperador proibiu a construção e operação de grandes barcos que eles já tinham e que eram muito maiores que os das grandes navegações do ocidente.
Hoje a China tem uma forte integração com o comércio mundial e assumirá a liderança perdida.

Crise pode emparedar instituições

Tempos difíceis virão nos próximos anos a começar por 2015. Teremos tempos difíceis na economia e também na política.
Na economia, os sinais preocupantes ficaram caricaturados na divulgação, na semana passada, do deficit do governo federal de R$ 17,2 bilhões. Esse é o pior resultado das contas públicas desde 1997.
Para se entender melhor esse deficit, as despesas do chamado Governo Central (Tesouro, Banco Central e Previdência) com pessoal, programas sociais, custeio e investimentos superaram as receitas em R$ 17,2 bilhões.
Observa-se que, paralelamente ao calendário eleitoral, os gastos foram acelerados e chegaram a R$ 1,031 trilhão. Já a arrecadação, prejudicada pela fragilidade da economia, ficou em R$ 1,014 trilhão.
Um ano atrás, o governo projetava um superavit de R$ 80 bilhões. Ou seja, contabilizamos uma diferença de quase R$ 100 bilhões entre o que se planejava e a realidade atual.
O agravante é que essa diferença não foi devido ao “pé no acelerador” dos investimentos, que estão nos mesmos níveis de sempre – aproximadamente 1% do PIB.
A diferença de quase R$ 100 bilhões mostra o desequilíbrio fiscal do governo da ordem de 2% do PIB.
Na prática, isso vai significar uma ameaça à expansão de despesas como da Previdência e programas como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida e investimentos em infraestrutura.
A nova equipe econômica já anunciou elevações de impostos, cortes no custeio e restrições à concessão de benefícios como pensões, seguro-desemprego e abono.
Ainda assim, permanecem dúvidas quanto à promessa de poupar R$ 55,3 bilhões neste ano para frear a escalada da dívida pública.
O governo terá que apertar os cintos de suas contas e o ministro da Fazenda já fala até em recessão neste ano e em baixo crescimento em 2016.
Será que a presidente Dilma Roussef banca esse aperto? Haverá maioria no Congresso para aprovar as medidas legais necessárias?
O aperto nas contas do governo provocará um grande descontentamento popular com a economia agravado pelo fato de que a então candidata “acusava” os seus oponentes de que iriam fazer exatamente isso.
A realidade está aí. Com certeza, teremos tempos difíceis!
No plano político, as coisas não serão mais fáceis. Nossa governança de coalizão está mostrando sinais de exaustão.
Essa coalizão não é construída em torno de um programa de governo e, sim, de uma divisão de espaços.
E a luta por espaços torna-se cada vez mais acirrada a começar pela disputa pela presidência da Câmara dos Deputados. Tudo isso em meio à uma crise na Petrobras envolvendo vários políticos e partidos, cujos detalhes devem vir a público nas próximas semanas. Se a população já estava desacreditada da política e dos políticos, a tendência é esse descrédito se esgarçar de vez.
Como disse o filósofo alemão Georg Lichtenberg (1742 -1799): “Quando os que comandam perdem a vergonha, os que obedecem perdem o respeito”. Temo que a conjugação dessas duas crises nos leve a um impasse tal como nos eventos de rua de junho de 2013, só que não mais como uma explosão de descontentamento, mas sim como um emparedamento das instituições.
Lembro-me da perplexidade dos dirigentes e dos políticos com aqueles fatos e do diagnóstico de que algo deveria ser feito.
Passados quase dois anos, mudou-se muito e pouco se fez. Na realidade, as eleições de 2014 trouxeram um novo ingrediente para tensionar ainda mais esse quadro: a vitória eleitoral da presidente Dilma Rousseff foi apertada e mostrou uma clara divisão territorial e de renda.
Isso diminui em muito o exercício do papel de chefe de Estado que a Presidência deve desempenhar.
Se atravessarmos novamente um período muito conturbado com a população voltando às ruas para protestar, o que acho bem possível de acontecer, o governo e o Congresso Nacional terão uma missão dificílima para atravessar o tsunami que se apresenta.

EMANUEL FERNANDES
é ex-deputado e ex-prefeito.
emanuel.fernandes@ovale.com.br

Perspectivas para 2015

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) assinou no final de 2014 o contrato da parceria público-privada para a construção do trecho de serra da Rodovia dos Tamoios entre os km 60,45 e 82. Será a terceira e última fase de uma obra fundamental para o desenvolvimento de nossa região. A previsão do Estado é de que 25 milhões de pessoas sejam beneficiadas com o acesso mais rápido e seguro ao Litoral Norte e ao Porto de São Sebastião por meio da duplicação da chamada Nova Tamoios.
O trecho de serra da Nova Tamoios é um grande desafio para a engenharia, com 12,5 km de túneis e 2,5 km de viadutos. A nova pista será construída no sentido litoral-planalto.
Mas será reversível, podendo ter a sua mão de direção invertida em caso de alta demanda de tráfego.
Uma obra importante para o litoral, fomentando turismo e gerando empregos e desenvolvimento para o pré-sal e também para o Porto de São Sebastião. Somente nessa etapa serão investidos R$ 2,96 bilhões de recursos.
Quem vive na região é testemunha de que a inauguração da primeira fase da duplicação da Rodovia dos Tamoios (trecho de 49 km entre São José e o Alto da Serra, entregue no final de 2013) já trouxe mais agilidade e mais segurança para os usuários. A segunda fase da obra, o Contorno de Caraguatatuba, já está em obras e em ritmo bastante acelerado.
Abro este artigo falando da obra da Nova Tamoios por dois motivos principais. Há exatos quatro anos, o governador Geraldo Alckmin resgatou o compromisso de executar as obras de duplicação e a colocou como prioridade absoluta para o mandato que se iniciava. Na oportunidade, como secretário de Planejamento e Desenvolvimento Regional, eu tive também a missão de trabalhar e disponibilizar recursos dentro do Orçamento para que a Nova Tamoios se tornasse realidade.
A duplicação da Rodovia dos Tamoios é apenas um exemplo de como o governador Alckmin vem trabalhando sério para atender as principais demandas da RMVale.
Nossa região vem recebendo investimento recorde nos últimos anos em áreas como Saúde, Educação, Habitação, Transportes e Saneamento, entre outras.
Temos hoje uma grande rede de Etecs (Escolas Técnicas) e Fatecs (Faculdades de Tecnologia), presentes nas principais cidades do Vale.
Na saúde, a construção dos AMEs (Ambulatório Médico de Especialidades) em diversas cidades e do Hospital Regional de Taubaté foram avanços importantes.
Outra conquista nos últimos anos foi na área de saneamento. Em breve, 100% dos esgotos serão coletados e tratados nas sedes dos 24 municípios operados pela Sabesp na região do Vale do Paraíba — resultado de R$ 519 milhões de investimentos no período 2011-2014. Atualmente, 90% dos esgotos são coletados e 94% são tratados.
As obras de mobilidade urbana em cidades como São José dos Campos também são outra marca importante deste governo. A avenida Mario Covas, por exemplo, se tornou um dos principais eixos viários da cidade e hoje ajuda o trânsito local e o acesso a rodovias como Dutra e Tamoios.
Para o mandato que se inicia agora, outros desafios importantes se apresentam.
Além da conclusão da duplicação da Tamoios, teremos o prolongamento da Carvalho Pinto até o entroncamento com a Rodovia Oswaldo Cruz.
Na área da saúde, o desafio é construir o Hospital Regional de São José dos Campos e do Litoral Norte, que vão ajudar as prefeituras a melhorar o atendimento em um setor ainda muito carente.
A próxima meta é viabilizar a implantação do trem intercidades. A proposta é de que as cidades do Vale tenham uma ligação com a capital através de um trem de passageiros, o que vai melhorar e facilitar a vida de quem trabalha ou precisa ir a São Paulo.
O trem de passageiros é uma excelente alternativa de mobilidade urbana, pois desafogaria o trânsito de veículos pela Via Dutra e Ayrton Senna.
Aproveito o espaço para desejar a todos os leitores e amigos um excelente Ano Novo cheio de saúde, prosperidade e conquistas para todos nós.